Wednesday, June 27, 2007

Flexibilidade ou Insustentabilidade?

Tudo indica que a maior flexibilização para haver despedimentos em Portugal vai ser uma realidade dentro de pouquíssimo tempo, apesar de toda a polémica que já se instalou sobre esta questão, que promete fazer correr ainda muita tinta...

Se, por um lado, há um maior grau de instabilidade, em que o trabalhador anda sempre com o coração nas mãos, porque é mais fácil mandarem-no embora, porque tem a noção de que poderá haver pessoas mais competentes para o posto, ou porque simplesmente os chefes não o gramam, nem com molho de tomate, por outro lado, revela-se cada vez mais imperativo harmonizar os mercados de trabalho em toda a Europa, criando maior flexibilidade onde não exista, ou exista pouca, permitindo também aumentar a competitividade, factor este tão importante numa economia frágil como a nossa.

No entanto, será com certeza um pau de dois bicos, porque se por um lado é necessária esta reforma, por outro terá que ser sustentada com uma maior sensibilização ao patronato e, ao mesmo tempo ser acompanhada com uma maior estabilidade e sustentabilidade ao nível da Segurança Social, em especial no que respeita ao Subsídio de Desemprego. Por outro lado, é necessário compensar esta flexibilização com uma maior promoção do emprego e da formação, protecção dos rendimentos dos trabalhadores e outro tipo de protecções. Mas, neste ponto reside uma grande questão, porventura a mais importante no meio de todo este processo...segundo as estimativas da Comissão Europeia, para implementar as medidas adequadas no que diz respeito aos níveis de protecção dos trabalhadores e a todo o conceito global da Flexigurança, Portugal teria que gastar mais de 4,2 mil milhões de Euros...por ano!!!

Ou seja, teria que gastar mais, em cada ano, do que irá gastar (na totalidade) com a construção do Novo Aeroporto da Ota (se ficar decidido que fica na Ota). Onde é que se vai buscar este dinheiro todo? A minha grande dúvida é aqui...há outras, que têm a ver com a competência das pessoas que irão liderar este projecto da Flexigurança, mas isso serão contas de outro rosário...

Para acabar, coloquei (como forma de experiência) na parte lateral deste blog, uma votação, meio a sério, meio a brincar, com várias opções de escolha. Sejam boas pessoas e participem nesta "sondagem". Pode ser que o resultado final seja interessante...ou não...!

:-)

6 comments:

nice said...

Não sabia!
Gostei de toda esta reflexão e concordo inteiramente contigo! Boa!

Luciana said...

Já tinha ouvida falar qualquer coisita sobre este assunto. Agora é que vai ser, aqui no meu trabalho querem começar a aumentar só quem demonstra empenho e trabalho feito! Acontece que o que por aqui anda é tudo uma cambada de engraxadores e chibos, portanto quem é que ganha o aumento? Quem se chiba ou quem trabalha?! É qual é o mais provável de ir para a rua?! Pois é, agora depende do civismo dos chefes! :p

Um Momento... said...

Olá (",)
Podes passar na minha casinha ??
Tenho algo para ti:)
Procura la sim?
Beijo de noite serena (*)

gasolina said...

A grande questão nisto tudo é que a coberto da flexisegurança vão ser promovidas "perseguições" àqueles que não alinharem ou se fizerem de salientes, sendo que na verdade encontram-se desculpas para o "chuto" na baixa produtividade, incapacidade de adaptação às novas tecnologias, pró-actividade/reactividade and so on. Ora a promover-se esta flexisegurança e depois do "terreno" limpo de obstáculos, quem fica? Ok, é retórica! Jobs for the boys! E competitividade sempre houve! Não nos termos em que agora é posta, pois neste momento não passa de uma questão politica.
Não prevejo nada de bom...

Anonymous said...

Este assunto levanta diversas questões. Mas, o que gera realmente polémica são os discursos e as medidas que pretendem dar-lhes resposta.
Aprovar um novo código do trabalho, dotado de maior flexibilidade e segurança para os trabalhadores, já por si é ambicioso. Será que isso é desejável para a economia, resposta: SIM!...Será que é desejável para os trabalhadores: we don't know...
Mudar mentalidades é das coisas mais complicadas de se fazer numa sociedade...A luta entre os grandes e os pequenos há-de sempre existir, mas para manter os pesos equilibrados na balança, era necessário criar estruturas que não existem e chegar a consertações bastante difíceis de obter entre trabalhadores e empregadores.

Se for bem feito é bom, se for mal feito é mau :P

Cristina said...

Opahh... pediste-me para deixar um comentário e eu deixo só mesmo por educação, porque sinceramente toda a esta questão passa-me um bocado ao lado, talvez por não estar inserida no mercado de trabalho "a sério".

Um beijinho grande** (estou de volta!)