Hoje assisti pela primeira vez ao vivo e a cores uma operação real de salvamento. Foi na Praia da Poça (no Estoril). Estava eu descansadinho a ler o meu jornal quando, de repente, aparece uma senhora vinda sabe-se lá de onde (depois percebi que era a dona do estaminé) a gritar histéricamente a pedir a um dos seus empregados que chamem o INEM porque se estava alguém a afogar. A partir daí, como se calcula, toda a gente que estava na esplanada se começou a levantar das mesas e a apontar a uma "massa" que boiava a cerca de 500 mts. De facto, ao adaptar a visão à distância percebi que essa "massa" era mesmo um corpo humano. A partir daí, tudo começou numa correria. Mas o que mais me chamou a atenção foi a inacção do nadador salvador que se via perfeitamente que não sabia o que é que havia de fazer. Ora bem, como não fuio único a reparar na passividade do rapaz, lá veio um dos donos do estaminé (o marido da senhora que gritava -com cerca de 60 e tal anos) que foi a correr pela escadas da praia abaixo ao mesmo tempo que despia a sua t-shirt e se atirou logo à água (que estava gelada, diga-se). Entretanto um cliente que estava na esplanada, ao se aperceber do que se passava, tomou a iniciativa de pedir uma prancha de surf aos assistente da praia e foi a correr para tentar salvar a pessoa. Só depois é que o nadador se decidiu atirar à água, seguindo o exemplo do mais velho e do cliente e depois de ouvir dezenas de pessoas a perguntar no paredão "Mas então o «baywatch»não vai lá?", " Atira-te homem! Do que é que estás à espera? Que se afogue mesmo?", "Mas quantas pessoas são precisas para que tu te atires à água?".
A pessoa (uma jovem rapariga) esteve não sei quanto tempo sem assistência, sem salvamento, sem que ninguém a acudisse. O senhor mais velho, que chegou mais rápido ao corpo (fantástico!!!), começou logo a fazer a assistência de reanimação, com as massagens cardíacas e a respiração boca-a-boca, tentando manter a cabeça da vítima fora de água enquanto a prancha não chegava. É de louvar...!
Para resumir e concluir uma história já longa, apenas quero registar que graças à intervenção decisiva deste "velho" de 60 e picos anos, chamado carinhosamente de Ti Nuno, foi possível salvar a vida a uma jovem inconsciente, que se meteu dentro de água logo após o almoço e após duas ou três cervejolas geladas...
Quanto ao "baywatch", vim a descobrir que teve um curso de um ano (!) e que estava ali naquela praia há cerca de semana e meia...
Eu só pergunto o seguinte: Se num curso de um ano não ensinam o nadadores salvadores a tomar decisões rápidas em que preciosos segundos podem salvar uma vida humana, então para que é que serve esse curso??? Há profissões, part-times, biscates (chamem-lhe o que quiserem) em que o nível de responsabilidade é demasiado para ser encarado com a leveza tão tipicamente nacional. Estamos a falar de vidas humanas que se podem salvar...
Será que os pilotos têm só um ano para poderem pilotar um avião com 200 ou mais pessoas? Será que um cirurgião necessita só de um ano para operar uma pessoa e, em muitos casos, salvar-lhe a vida? Então, será que é mais importante engatar umas "gajas" (as meninas que lerem isto que me desculpem a expressão) na praia porque sou um "baywatch"?? Ou afinal está ali com a responsabilidade de vigiar as pessoas que estão na água? É certo que há sempre excesso por parte dos banhistas, assim como há muita irresponsabilidade ( como foi o caso desta jovem), mas a verdade é que a função de Nadador Salvador existe por alguma razão, tal como os bombeiros e como os médicos...
Mas não batamos tanto no nadador salvador...afinal ele estava ali há meia dúzia de dias. Terá sido provavelmente a primeira situação difícil com que se deparou...esperemos que tenha aprendido alguma coisa! Quanto à vítima, como já foi dito, salvou-se, sobretudo graças à acção do Ti Nuno e depois complementada pelo excelente (diga-se!) trabalho de reanimação do INEM que não descansou enquanto não sentiu a pulsação daquela miuda. Esta jovem foi acompanhada por um anjo chamado...Ti Nuno...! Um verdadeiro herói!!!